sábado, 28 de junho de 2003

Homem grávido quer ter parto normal!

Parabéns Léo e Juliana!!! Por quererem trazer Mila ou Luca da forma mais natural ao mundo!!! Parabéns, por também estar grávido, e fazer do parto um evento não só da mãe e do bebê, mas também do PAI!

sexta-feira, 27 de junho de 2003

DIREITOS DA GRÁVIDA NO TRABALHO (Garantidos pelas leis trabalhistas CLT)

fonte: http://www.redesaude.org.br


Sempre que você for às consultas de pré-natal ou fizer algum exame necessário ao acompanhamento de sua gravidez, solicite ao serviço de saúde uma DECLARAÇÃO DE COMPARECIMENTO. Apresentando esta declaração à sua chefia você terá sua falta justificada no trabalho.

Você tem o direito de mudar de função ou setor no seu trabalho, caso o mesmo possa provocar problemas para a sua saúde ou a do bebê. Para isso, apresente à gerência um atestado médico comprovando que você precisa mudar de função.

Enquanto estiver grávida, e até cinco meses após o parto, você tem estabilidade no emprego e não pode ser demitida, a não ser por justa causa, isto é, nos casos previstos pela legislação trabalhista (se cometer algum crime, como roubo ou homicídio, por exemplo).

Você tem direito a uma licença-maternidade de 120 dia recebendo salário integral e benefícios legais a partir do oitavo mês de gestação.

Até o bebê completar seis meses, você tem direito de ser dispensada do seu trabalho todos os dias, por dois períodos de trinta minutos, para amamentar.

O seu companheiro tem direito a uma licença-paternidade de cinco dias, logo após o nascimento do bebê.

Palestra gratuita sobre Preparação do Parto em SP


Olá pessoal!
Abaixo as informações sobre os próximos eventos que coordeno.
No mês de julho haverá um grupo de preparação com preço super especial para ninguém deixar de fazer!
Palestra (encontro) sobre parto
03/07/2003 - 19h - na Mammy to Be*
Gratuito
Tema: Como conseguir o seu sonho de parto
Curso de Preparação para o parto
12 e 13/07/2003 - 9h às 13h - em Pinheiros*
Custo: R$ 60,00 (pode ser pago em duas vezes)
Temas: Dificuldades em se conseguir um parto normal no Brasil; Identificando o médico/parteiro(a) ideal; Maternidades x Casas de Parto x Domicílio;
Fisiologia e Anatomia do Parto; Filmes de Parto; Preparando-se para o Parto;
Dor do Parto e Anestesia; Presença do pai e/ou doula; Cuidados com o bebê; Amamentação; Pós-parto
Organização: Ana Cristina Duarte - Bióloga, doula, educadora perinatal
Co-Fundadora dos Grupos Amigas do Parto (www.amigasdoparto.com.br) e Doulas do Brasil (www.doulas.com.br)
Endereços (tudo em São Paulo, SP):
Mammy to Be: R. Major Prado, 54 - Moema
Pinheiros: endereço a ser confirmado
Telefones para inscrição: 3873-9859 / 9806-7090
Só para lembrar, fazer o curso de preparação é essencial para quem está de fato querendo um parto normal. Das mulheres que participaram nos últimos 6 meses, a taxa de cesárea foi de 10%, quando a média para esse nível sócio-econômico é de 80-90%.
Um abraço e espero todo mundo lá na Mammy to Be, dia 03, às 19h.

quinta-feira, 26 de junho de 2003

Estupro do Século XX

por Ana Cristina Duarte - co-fundadora das Amigas do Parto e doula
Li um texto em inglês há alguns anos, que relata a história de 5 partos de uma mãe americana. A cada parto, barbaridades, intervenções, separações, todo tipo de absurdo. Aos poucos os partos foram ficando melhores, até que o último foi do jeito que ela queria.
O nome Estupro serve bem ao caso da Cecília, que acaba de entrar em nossa lista. Uma mulher saudável, com um bebê saudável e gestação de baixo risco, se entregando às decisões do marido, da médica e da família, evitando assim um confronto desconfortável. Não quer discutir mais, não quer mais brigar, está cansada disso tudo.
Assim ela se sente, assim ela diz:
- Ah, tá, ok! Vocês querem me cortar? Cortem, façam o que quiserem. Eu não quero mais discutir sobre isso. E se isso me matar ou deixar o meu bebê com tubos em uma UTI, vocês vivam com isso em suas consciências. Pra mim tanto faz! Lavo minhas mãos!
Mas a vida não é tão simples. A gente tem que tomar decisões da hora que acorda até a hora que vai dormir. Decide sobre a carreira, a casa, a família, a gravidez, a educação dos filhos. E quer fazer o que é melhor.
O que é melhor para uma gestação de baixo risco? Ninguém mais discute essa questão hoje em dia. Tirando os casos raros de problemas insolúveis do parto, a melhor opção é o parto normal. Mas na Veja saiu uma matéria sobre a cesárea de hoje em dia, tão segura.. Na revista Claudia, o Dr. Drauzio Varella afirma que parto normal é chato, é muito melhor cortar e pronto.
Nossas atrizes e mulheres famosas escolheram cesáreas com data marcada.
E agora?
Vou dizer algo que pode parecer egoísta e impensado: Meu Corpo é Meu!!!
Ninguém vai me cortar sem que EU queira. Ninguém vai me amarrar, me injetar drogas, me raspar, me lavar e esfregar, sem que eu esteja plenamente convencida da necessidade desses atos. Meu corpo é minha casa. É onde vivo, onde fiz meus filhos, onde fiz o alimento que os fez crescer com saúde. Meu ventre é sagrado. Ninguém tem o direito de invadi-lo porque tem medo dos meus partos, medo de me ver dar a vida, dar à luz meus filhos.
Vou parir como quero, vou colocá-los para fora quando EU quiser e quando ELES quiserem. Amo meu marido, respeito meu médico, mas quem manda no meu corpo sou EU. Se alguém quer me cortar, que me convença da real necessidade.
Não vou permitir que me amarrem a uma mesa, me anestesiem, me cortem e me sangrem, que abram meu útero, e mais 6 camadas do corpo porque estão com medo do meu parto.
Meus filhos são parte da minha carne. Meu ventre é o melhor lugar para eles até que eles resolvam nascer. E quando eles derem o sinal, quando eles quiserem se venturar nesse mundo que pode ser tão lindo para quem tem olhos de ver, eles vão sair. Juntos trabalharemos, faremos força, giraremos nossos corpos, dançaremos sob a penumbra e então nos separaremos. Exatamente como minha mãe fez, como minha avó, como todas as minhas ancestrais. Temos todas o mesmo sangue, herdado geração após geração, através de nossos úteros, nossas placentas, nossos cordões.
Eu posso, eu quero, e eu vou determinar como meus filhos vão nascer. E quando eles nascerem ficarão comigo, nossas peles unidas agora por fora.
Nossos corpos separados apenas por uma película de suor e do líquido que os envolvia. E vou amamentá-los, nutri-los e separar-me deles quando EU entender que é hora. E se eu quiser separar-me, os deixarei onde achar seguro, e não dentro de um aquário de maternidade, junto a outros tantos bebês, expostos em vitrines 5 estrelas.
Não terei meu ventre partido ao meio para satisfazer a agenda de uma médica sem escrúpulos o ao medo incontrolável de meu marido. Ele que se informe, que aprenda, que leia, e que me respeite. Sou a mãe de seus filhos.
Sou uma mulher inteira, na alma e no corpo. Sei tomar minhas decisões e sei o que é melhor para mim.

quarta-feira, 25 de junho de 2003

Eu quero ter parto normal. O que devo perguntar ao obstetra para saber se ele é a favor do parto normal?

Não basta o obstetra falar que prefere parto normal... Infelizmente no Brasil, muitos médicos no fundo, preferem mesmo a cesárea, pelo comodismo que ela gera... Outros fazem cesárea por desinformação... Saiba escolher o seu médico, fazendo algumas perguntas: 
1. Há quanto tempo você faz partos e quantos partos (normais/cesáreas) você já fez?
2. Qual a sua filosofia sobre o nascimento? Por que você tornou-se obstetra?
3. O que você faz quando duas pacientes entram ao mesmo tempo em trabalho de parto?
4. Quando você prefere chegar durante o trabalho de parto? E se meu trabalho de parto demorar dias? E se for muito rápido e você não conseguir chegar? Já aconteceu algo parecido antes?
5. Quais tipos de complicações no parto você já teve em sua experiência? Como lidou com elas?
6. Você cobra alguma coisa por fora daquilo que o plano saúde já paga?
7. Qual a sua opinião e utilização sobre dopplers e ultrasom?
8. Qual a sua conduta no caso de bebes pélvicos, gêmeos, placenta anterior, ruptura da bolsa, gestação após 40, 41, 42 semanas, bebês grandes (o quão grande), pressão alta, bebês posteriores, queda do batimento do bebê, circular de cordão, parto prolongado, expulsivo prolongado?
(nada disso é motivo de cesárea marcada, então se ele disser que vai operar, fuja desse cara!!!!!)
9. Qual a sua opinião sobre a utilização de fórceps?
10. Quantos partos você faz em média por mês?
11. Qual é a principal causa das cesáreas que você realiza?
12. Quantos partos normais depois de cesárea você fez? Qual seu índice de sucesso (parto normais depois de cesárea/tentativa de parto normal depois de cesárea)? Algum caso de ruptura uterina?
13. Você já fez algum parto de cócoras? O que você pensa de partos de cócoras? Quais as posições que você mais utiliza nos partos?
14. Você trabalha em equipe (com outras pessoas)? Caso positivo, quando poderei conhece-las? O que acontece se eu não gostar de algum dos membros da equipe?
15. Você saberia me responder algumas perguntas sobre as condutas de rotina da sua equipe? Como, por exemplo, como o seu anestesia administra a analgesia? O seu pediatra manda o bebê para o berçário ou o bebê vai direto para o quarto com a mãe?
O seu pediatra faz os testes como Apgar no colo da mãe? O seu pediatra receita glicose ou qualquer outra coisa que não o seio materno para o bebê nas primeiras horas de vida?

terça-feira, 24 de junho de 2003

Nasceu o Artur!

images
Nasceu de parto normal hospitalar, no dia 22 de junho de 2003, o Artur, filho da Diana!
Ele tinha 2 voltas de cordão, o que não impediu que o parto normal fosse realizado.
Pesando 3.200kg, e com 51cm, sua foto pode ser visualizada aqui
Visite o blog do Artur ou envie uma mensagem para ele!

domingo, 22 de junho de 2003

É possível reduzir a taxa de cesarianas no Brasil ?

Dr. Wladimir Taborda / Dr. Tenílson Amaral de Oliveira ¿ Departamento de Perinatologia do Hospital Albert Einstein
fonte:http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/crianca/artigo_cesariana.html

Estima-se que um de cada 3 nascimentos no Brasil ocorra por cesariana. De acordo com o Ministério da Saúde a taxa de nosso país foi de 38% em 2001, muito superior à registrada nos Estados Unidos [20,8%], Inglaterra [19%], Escócia [18%] e Irlanda do Sul [9%], sendo considerada uma das maiores do mundo. De fato, a Organização Mundial de Saúde [OMS] reconhece que não existem benefícios para a saúde das mães e dos recém-nascidos com taxas de cesáreas superiores a 15%.

Porque então temos uma incidência de cesariana tão elevada no Brasil? Esta resposta é complexa e envolve múltiplos fatores, inclusive sócio-demograficos.

Os dados de 2001 do Ministério da Saúde revelam que as taxas de cesárea podem variar consideravelmente entre as diferentes regiões do país e também de acordo com a natureza do prestador do serviço médico, se público ou privado. Assim, a Região Nordeste registrou uma taxa de cesariana de 25,6% em contraste com a região Sudeste com 45,9%. Amapá e Sergipe apresentaram os menores índices nacionais de cesárea com 15,4% e 20,7%, respectivamente. São Paulo, com 47,9% e Rio de Janeiro com 48%, obtiveram os maiores índices no país. Embora aparentemente os estados mais ricos registrem mais cesarianas, podemos encontrar exceções: Rondônia tem 40,4% de cesáreas, aproximadamente a mesma incidência de Santa Catarina (40,1%). As variações também ocorrem dentro do próprio estado. Em São Paulo capital a incidência foi de 46,6% e em Campinas de 68,6%. Essas diferenças revelam que além de situação sócio-econômica, outras variáveis relacionadas à prática profissional e cultura local estão envolvidas.

Estima-se que cerca de 13% da população do Brasil tem planos privados de saúde (medicina de grupo, cooperativa, auto-gestão e seguradoras), concentrada principalmente na região sudeste, o que justificaria parcialmente o maior número de cesarianas da região. De fato, em hospitais privados de São Paulo a incidência de cesariana é raramente inferior a 50%, chegando a 90% em algumas instituições em contraste com os 25% habitualmente praticados em hospitais que atendem ao SUS.
Muitos são os fatores alegados para esta avalanche de cesarianas em hospitais privados: segurança com as técnicas cirúrgicas modernas, falta de tempo por parte da equipe médica em permanecer até 8 horas aguardando um parto normal, médicos com agendas muito cheias de compromissos no consultório particular, nas universidades ou na vida privada são exemplos comuns. As pacientes menos informadas também referem medo da dor do parto, receio de ficar com a vagina alargada pela passagem do bebê e risco de problemas com o bebê na hora do nascimento, como justificativas pela opção por cesariana. Muitos médicos ao invés de desmistificarem estes aspectos, preferem simplesmente marcar uma data conveniente para a família e para si próprios.

Atualmente observamos alguns hospitais privados investindo na organização do atendimento a parturiente, com ênfase no atendimento multidisciplinar e humanizado, como estratégia para reduzir as intervenções desnecessárias, que resultam em partos cesárea.

As evidências científicas acumuladas sobre este tema revelam o benefício do acompanhante (geralmente o pai) durante o trabalho de parto e exigem a revisão de práticas obstétricas ainda consideradas rotineiras e nem sempre benéficas (como a raspagem de pelos pubianos, a ruptura artificial da bolsa e a incisão na vagina, episiotomia). Além disso, a participação sistemática da enfermeira obstetra ¿ tradicionalmente menos intervencionista que o médico - e a disponibilidade de quartos de parto especiais, denominados Labor and Delivery Room (LDR), representam práticas de incentivo ao parto vaginal em hospitais privados e públicos.

A experiência da Maternidade Albert Einstein, por exemplo, revela que a taxa de cesárea foi de 18% entre as 239 parturientes que optaram pelo LDR entre abril de 2000 e junho de 2001, tendo ocorrido 195 partos normais neste grupo de pacientes.

Todos estes aspectos demonstram que existe oportunidade para a redução segura das taxas de cesariana no Brasil. O fator decisivo é a prática médica. A mudança de atitude e a motivação de pacientes, familiares e profissionais, são os mais importantes. Existe experiência internacional bem sucedida capaz de reduzir a incidência de cesárea. A educação e a revisão da prática profissional apresentam êxito em centros internacionais onde foi implantada, especialmente a segunda opinião sobre a indicação da cesariana. Esses relatos comprovam que a redução foi obtida sem elevação na morbidade e mortalidade de mães e recém-nascidos. A educação pré-natal diminuiu a ansiedade e reforçou a defesa do parto vaginal. Além disso, estabeleceu-se conduta uniforme para o trabalho de parto com o objetivo de encorajar um processo de decisão consistente, baseado em protocolos de assistência ao parto. Acreditamos que o componente mais importante para o sucesso é o compromisso das instituições de saúde e a motivação dos médicos para empreender uma mudança em sua prática clínica.

As taxas nacionais de cesariana permanecem muito mais elevadas do que a ciência ou a prudência pode justificar. As dificuldades residem na obtenção de reduções seguras, apoiadas nas melhores evidências científicas disponíveis para atingir este objetivo.

"A tendência é a opção pelo parto normal"

Simone Paulino
Pedro Paulo Monteleone, do CRM
Na opinião do presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina), Pedro Paulo Monteleone, a mulher tem sim o direito de escolher como quer ter seu filho. Entretanto, ele afirma que muito dificilmente uma paciente que esteja adequadamente informada sobre os prós e os contras da cesárea, e que tenha confiança no seu médico, vai preferir a cesárea ao parto normal.
"A mulher que deseja e está disposta a fazer cesárea deve ser ouvida, mas o médico por sua vez tem autonomia para aceitar ou não essa decisão da mulher", diz. De acordo com ele, o médico tem que informar sua paciente muito bem. Tem que mostrar que os riscos inerentes à cesárea são 3 a 4 vezes maiores do que no parto normal e que há de 30 a 40 vezes mais chances de infecção hospitalar.
"A mulher tem o direito de escolher, mas há um limite. Ela não pode decidir no lugar do médico. Se o bebê não está sofrendo, se ela não tem problema de má formação da bacia, se o feto não tem problema de desenvolvimento, não há por que fazer uma cesárea", diz.
Para ele, o fato de as cesáreas serem feitas em grande número no Brasil também está relacionado à má qualidade do atendimento obstétrico. Monteleone diz que em muitas maternidades - principalmente as do interior dos Estados - grande número de partos são feitos por enfermeiros, muitos deles despreparados.
"O SUS também tem que pagar melhor a assistência obstétrica", reivindica. Monteleone afirma que às vezes o sistema paga tão mal que não dá para contratar enfermeiras especializadas para acompanhar os partos.
Outro ponto importante na opinião dele é fazer novas campanhas de esclarecimento e de incentivo ao parto normal, explicando os riscos e desmitificando a idéia de que a dor do parto normal é insuportável. Uma campanha lançado em 1997 pelo Conselho Federal de Medicina teve esse objetivo, mas ainda não há números sobre os resultados.
fonte:http://www.unifesp.br/comunicacao/jpta/ed125/debate1.htm

Grávidas querem parto normal. Médicos, cesárea

Mesmo contra desejo das futuras mães, médicos insistem na cesariana por comodidade, num fenômeno que virou rotina na rede privada brasileira
José Luís da Conceição/AE
Ger2
Eliete, com Matheus, seu 2º filho: para ter parto normal, foi preciso trocar de médico
LUCIANA MIRANDA
Apesar de uma gestação normal durar até 42 semanas incompletas, médicos se apressam em marcar a cesárea para a 38.ª. É o começo da frustração das mulheres que querem ter parto normal. O fenômeno virou rotina na rede privada de saúde e, pior, artigo de exportação: o número de cesáreas nos Estados Unidos está aumentando tanto, que obstetras de lá estão interessados em saber como essa mania se desenvolveu por aqui. A explicação, jamais admitida pelos médicos, é uma só: a comodidade de não serem surpreendidos por um parto na madrugada ou no fim de semana.
A história é sempre a mesma. Durante o pré-natal, o médico se resume a dizer sobre o parto normal: "Vamos tentar." Outros dão pistas mais enfáticas, ao afirmar que a cesárea é a melhor opção. Raros, mas existem, são os que desde o começo dizem não fazer parto normal.
Foi o caso da web designer Chrystiane Campos, de 26 anos. Assim que ela disse para o médico que queria fazer parto normal, ele respondeu: "Não faço, porque não dá tempo de eu chegar ao hospital." Como sugestão, ele ofereceu transferir Chrystiane no último mês de gravidez para um colega que fazia.
"Mas em toda consulta ele tentava me dissuadir da idéia do parto normal", conta ela.
No quinto mês de gestação, Chrystiane trocou de médico. Para sua surpresa, esbarrou no mesmo problema. "Percebi que seria cesárea de qualquer jeito."
Ela só conseguiu ter seu bebê de parto normal porque deixou a rede privada de saúde e buscou atendimento na Casa de Parto do Itaim Paulista, do Sistema Único de Saúde (SUS).
Uma semana depois de começar a ser atendida na Casa de Parto, Chrystiane começou a ter contrações. Lara, de 5 meses, nasceu de parto normal, com 3,65 quilos. "De tão boa que foi a experiência, já penso no segundo filho. As mulheres têm de correr atrás de informações sobre parto."
"Desculpas" - É a falta de informação que deixa a mulher vulnerável às decisões do médico. Cordão enrolado no pescoço, bebê muito grande ou muito pequeno e até falta de dilatação antes mesmo de o trabalho de parto começar são alguns argumentos apresentados pelo médico para "justificar" a cesariana. "São desculpas", alerta Andréa Almeida Prado, do Amigas do Parto, grupo que incentiva a humanização do nascimento e o parto normal. "Mas é difícil a mulher perceber que está nas mãos de um cesarista."
A secretária bilíngüe Eliete Rose Del Barco, de 38 anos, passou pelos dois - cesariana e parto normal. "Na primeira gravidez, não queria cesárea, mas o médico alegou que eu não tinha dilatação", lembra. A recuperação pós-parto foi demorada. Por um mês, Eliete sentiu muita dor no abdome.
A segunda gravidez terminou em parto normal, como Eliete queria. Mas para isso foi preciso trocar de médico no fim da gestação. A primeira médica insistia no risco do parto normal provocar ruptura uterina, já que Eliete tinha se submetido à cesárea na primeira gravidez. O segundo explicou que a cesariana prévia reduzia, mas não eliminava, as chances de parto normal.
Matheus, de 5 meses, nasceu num domingo, depois de cinco horas de trabalho de parto.
Cabeça grande - Há 22 dias, a arquiteta Analy Uriarte, de 37 anos, deu à luz Bruna. Além de normal, o parto foi feito em casa, supervisionado por uma enfermeira obstetriz. "Foi a primeira vez que me senti tranqüila. Parece que os médicos não têm experiência com parto normal. Eles estão sempre à procura de um motivo para fazer cesárea."
É o segundo filho de Analy. A primeira gravidez acabou numa cesárea. "Não percebi que a médica faria cesariana de qualquer jeito." Tanto que Analy pagou até uma enfermeira obstetriz indicada pela médica para acompanhar o parto.
Assim que a bolsa estourou, Analy foi para a maternidade. Três horas depois, a médica decidiu fazer cesárea por mais que Analy não quisesse. A desculpa foi o tamanho da cabeça do bebê que, segundo a médica, era muito grande. Só que Teodoro, de 2 anos e meio, não nasceu com cabeça grande.
cirurgia
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2003/06/22/ger010.html
Anestesia só é necessária em 10% a 20% dos casos
De cada dez partos normais, só um ou dois precisam de anestesia. O limite para usar ou não o recurso é tolerância à dor, que depende da sensibilidade de cada pessoa. Segundo uma escala usada por médicos para avaliar o que o paciente sente, a dor do parto é considerada de moderada a intensa. Crise renal corresponde a dor insuportável.
Há dois tipos de anestesia para parto normal: a peridural e uma combinação de raque com peridural. Ambas atuam da cintura para baixo, reduzindo a sensibilidade à dor. "Essa redução é de 80% a 90%", diz José Geraldo Lopes Ramos, da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
O professor Jorge Kuhn, do Departamento de Obstetrícia da Unifesp, explica que o ideal é que, quando usada, a anestesia seja aplicada só no fim do trabalho de parto, pouco tempo antes de o bebê nascer. Na metade do trabalho de parto, quando as contrações estão mais freqüentes, a parturiente pode receber medicamentos analgésicos que ajudam a controlar a dor.
Mesmo com toda a evolução dos anestésicos, Kuhn esclarece que eles diminuem a evolução das contrações, o que prolonga a duração do trabalho de parto.
Quando isso ocorre, aumentam os riscos de infecção para a mãe e o bebê, bem como uso de fórceps ou até necessidade de cesárea. (L.M.)
limites
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2003/06/22/ger005.html
Taxa de cesariana é de 70% nos hospitais brasileiros
Recomendação da OMS é de até 15%; método é indicado só quando há risco para mãe ou bebê
Toda mulher saudável, sem gravidez de risco, é candidata ao parto normal. A cesárea tem indicações precisas. Só deve ser usada no que os médicos chamam de situação de risco, quando a vida da mãe ou do bebê está ameaçada.
Para se ter idéia da freqüência com que uma situação de risco ocorre, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que no máximo 15% dos partos sejam cesarianas. Nos hospitais privados brasileiros, a taxa média é de 70%.
"O Brasil é campeão em taxa de cesárea", alerta Jorge Kuhn, professor do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
"Estamos contra o recomendável."
O parto normal tem vantagens para a gestante. A cesárea é uma cirurgia e como tal tem risco de hemorragia e infecção, além de complicações relacionadas à anestesia. O tempo de recuperação pós-parto é de um mês, ante uma semana para o normal.
Para o bebê, o parto normal é a melhor opção. "Distúrbios respiratórios são mais freqüentes em bebês nascidos de cesariana", diz José Geraldo Lopes Ramos, vice-presidente da região sul da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). A explicação é simples: ao passar pelo canal vaginal, o bebê tem seu pulmão pressionado na medida certa para expulsar secreções.
Escolha - A dica para as mulheres que querem ter bebês de parto normal é escolher muito bem o médico. "Converse com ele, pergunte qual a taxa de cesárea dele e do hospital onde será feito o parto", orienta Ramos. Montar um plano de parto é um bom começo. Nele, a mulher descreve tudo o que pretende que seja feito e o que não quer que seja realizado. "Discuta o plano de parto com seu médico", completa Kuhn.
E para quem pensa que parto normal não combina com a mulher de hoje, mais sedentária que a de antigamente, Kuhn tem um recado: "É balela, não tem nenhuma relação." (L.M.)
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2003/06/22/ger008.html

terça-feira, 17 de junho de 2003

Natália nasceu!

bebeagua
Nasceu ontem, 16/06/2003, num parto natural de cócoras e na água, a Natália, filha da Virgínia. Ela nasceu com 2.925 kg e 47cm.
As duas passam bem, e em breve publicarei o relato do parto.
Façam visitas aqui

Veja o relato escrito pela Virgínia:

"Gente aí vai o relato do parto da Natália!!! :))
Desde criança, minhas referências sobre parto, sempre foram muito positivas, já que minha mãe teve dois partos normais... apesar de terem sido hospitalares com todas as rotinas possíveis, só deixaram lembraças boas a ela... e ela sempre me transmitiu isso!!!
A história do parto da Natália começou mais ou menos em agosto de 2002, eu e o Edson já estavamos tentando engravidar e meu programa favorito durante os dias era assistir ao programa "História de um bebê" (no People&Arts) e sonhar com o bebe... um belo dia, o programa mostrava um parto domiciliar maravilhoso... fiquei muito impressionada com aquilo, pois até então não imaginava qualquer possibilidade de um parto fora de um hospital! Achei aquilo o máximo dos máximos!!!
Isso me motivou a pesquisar na internet sobre o assunto... nessa busca, encontrei o site da Amigas do Parto e do Instituto Aurora, dois sites que tornaram meu sonho possível!
Imediatamente devorei todo o conteúdo do site da Amigas do Parto, fiquei boba com os relatos... e me inscrevi na lista de discussão... com isso, pude entender muitas coisas e ver que um parto humanizado (de preferência domiciliar) era mesmo uma coisa possível e que era o MELHOR para mim e para o bebe que um dia eu teria! Além disso, o site do Instituto Aurora, me apresentou a Fadynha, que viria a ser uma "peça" fundamental para todo o processo que viria a acontecer!
Bom, passados aproximadamente 2 meses (em 17/10/2002), descobri minha gravidez de 4 semanas... assim, começava a "luta" para conseguir o meu sonho de ter um parto humanizado e domiciliar.
Iniciei meu pré-natal com um médico do convêncio, indicado pela Fadynha, no entanto ele não era o que eu realmente desejava... seria possível ter um parto legal com ele, mas talvés depois de MUITO diálogo, se a gravidez corresse ABSOLUTAMENTE sem problemas e se o trabalho de parto não apresentasse NENHUMA intercorrência... o que realmente me deixava muito apreensiva, já que não sabia o que me esperava na hora do parto... talvéz um TP longo, uma bolsa rota a algumas horas e nenhum sinal de contrações... enfim... coisas que poderiam me levar a uma cesárea desnecessária.
Eu queria mesmo era fazer meu pré-natal e parto com um médico que respeitasse meu tempo, meus desejos e que fizesse o parto na minha casa...
no entanto um médico assim só se não fosse do nosso convênio, então teríamos que pagar as consultas e o parto. Como o Edson (meu marido) não tinha a
confiança suficiente num parto domiciliar, ele tentava me convencer de que seria loucura gastarmos esse dinheiro com isso, se podíamos utilizar o médico do convênio.
Independente da confusão de qual médico escolher... com 5 semanas de gravidez comecei a fazer Yoga com a Fadynha e uma coisa era certa... queria ela como doula do meu parto, fosse ele realizado com que médico fosse. A Yoga foi a melhor coisa que eu poderia ter feito... me deixou mais confiante, me ensinou muitas coisas, ajudando na minha preparação física e psicológica para o parto.
Com 13 semanas, convenci o Edson a irmos a primeira consulta com o Dr. Francisco Villela (o médico ideal para mim)... de cara amei mais ainda e passei a ficar mais com o pé atrás em relação ao outro médico. Descobrimos o quanto ele cobraria pelo parto... o que realmente me surpreendeu, pois achei que seria mais caro... mas mesmo assim o Edson ainda insistiu em continuarmos com o outro médico. Ficamos então nesse chove não molha durante meses...
Levei o pré-natal intercalando as consultas entre os dois médicos... hora decidíamos por um, hora por outro... mas graças a Deus minha gravidez transcorria maravilhosa, sem nenhum problema... engordei somente 5Kg, minha pressão se manteve ótima, não tive dores nas costas, nem inchaços, nem nada, além de enjoo e azia... e uma pontinha de frustração pela minha barriga ser tão pequena, que beirando os 9 meses de gravidez fui barrada na fila de gestantes do bradesco! HERG!!! J
Enfim... com 34 semanas, resolvi radicalizar... cheguei pro Edson e disse... não gosto do médico do nosso convênio... vamos mudar definitivamente para o Dr. Francisco e eu abro mão de fazermos o parto em casa (faremos na Perinatal)! Como eu desconfiava, o parto domiciliar era o problema, e não o dinheiro ou qualquer bobagem parecida... então graças a Deus (novamente) ele concordou e mudamos definitivamente para o Dr. Francisco!!!
Bom, dia 12/06/2003 completei 38 semanas... a expectativa aumentou e felizmente minha mãe chegou de São Paulo para passar 45 dias aqui, o que me deixou muito mais calma... Eu não sentia nada físico, mas tinha uma intuição de que a Natália chegaria logo, apostava que seria até aquele domingo (15/06)... Fora isso, estava com
uma sindrome de arrumação terrível... arrumei 2 armários da casa que estavam para ser arrumados a mais de um ano, quando mudamos para esse apartamento,
arrumei a estante da sala, a lavanderia... Isso me fazia acreditar ainda mais na minha intuição... minha filhota estava chegando e eu estava arrumando o ninho para recebê-la!!! Dito e feito: segunda feira (16/06/2003) a 1:20h da madrugada, minha bolsa estourou...
Acordei meio assustada, corri para banheiro para tentar ter certeza do que estava acontecendo antes de acordar o Edson. Chegando no banheiro confirmei a suspeita e resolvi chamá-lo... Me troquei e sentei na cama, esperando que alguma coisa diferente acontecesse... e dali 15 minutos comecei a sentir contrações... nada mais do que leves cólicas (muito leves perto das minhas cólicas menstruais)... então começamos a cronometrar os intervalos e durações, e acordamos minha mãe que dormia na sala!
Esse negócio de intervalos e durações me estressou um pouco, fiquei meio apreensiva se estavamos medindo certo, se era aquilo mesmo... já que concluímos que as contrações estavam vindo de 7 em 7 minutos com duração de aproximadamente 1 minuto!! Resolvi tentar relaxar um pouco deitada na cama, mas foi bem difícil, já que nesse momento senti um pouco de medo do que aconteceria depois e também porque o Edson e minha mãe tomaram banho e se colocaram prontos para ir para a Perinatal, e o pior, minha mãe começou a lavar um resto de roupinhas da Nat que faltavam ser lavadas!!! O Edson já foi para o computador mandar e-mail para o pessoal do trabalho avisando do acontecido, desmarcar reuniões e coisas do tipo!!! Mas enfim... me concentrei em mim e na minha filha... fiz uma oração... expliquei para a
Natália o que estava acontecendo... que a hora de ela vir ao mundo havia chegado e que nós duas deveriamos fazer cada uma a sua parte no processo!
As 4:15h verificamos que as contrações estavam de 5 em 5 minutos e durando 1:30 minutos, mas continuavam super leves em termos de dor, eu ria da cara de desespero do Edson... hehehehe... então ligamos para o Dr. Francisco... que nos mandou ir para a Perinatal... então me troquei, pegamos um taxi e chegamos lá as 4:45h... demos entrada e fomos para o quarto!
Chegando lá, já avisei a enfermeira que meu médico havia pedido que NADA fosse feito antes que ele chegasse, e ela acatou a recomendação e não nos incomodou mais... Foi quando resolvi chamar a Fadynha!
Enquanto esperava eu coloquei aquela camisolinha horrível do hospital... nem sei porque, já que havia me programado para colocar uma camisola minha, mas na hora, coloquei aquela... e comecei a fazer alguns exercícios e andar... mas mesmo assim as contrações perderam a regularidade.
Dr. Francisco chegou ali pelas 05:40 ... me examinou, ouviu a Natália (155 batimentos por minuto - ótimo!) e fez um toque... 3 cm de dilatação e colo um pouco grosso! Como o TP estava muito no inicio ele resolveu ir atender sua 1ª paciente no consultório e ficamos em contato por telefone.
A Fadynha chegou, ficamos conversando e rindo... eu estava bem, mas um pouco frustrada pela falta de ritmo das contrações... a Fadynha falava que era normal, era devido a chegada ao hospital, que eu tinha que me ambientar primeiro, mas que elas viriam! Continuamos os exercícios, a conversa, a Fadynha aplicou uma moxa e a cada contração eu me acocorava para axíliar a descida do bebe!
Dito e feito de novo... entre 9 e 10 horas da manhã... minhas contrações não só haviam se regularizado como já estavam de 2 em 2 minutos com duração de 1
minuto.
Ligamos para o Dr. Francisco, que pediu que eu deitasse um pouco para que desse tempo de ele voltar a Perinatal antes que o processo avançasse demais.
Deitei... frustação novamente... as contrações cessaram como num passe de mágica. Ele chegou, me examinou novamente... 6 cm de dilatação e colo
apagado, escutou a Nat que estava muito bem, mas nada de contrações.
Então, levantei da cama e reiniciei os exercícios, caminhava em círculos pelo quarto minúsculo e me acocorava nas pouquíssimas contrações que
ocorriam.
A Fadynha resolveu fazer um outra moxa, e me disse para estimular meus mamílos, com o objetivo de ativar novamente as contrações!!! Lá ficamos...
moxa, conversa, riso, poses para fotos... passada mais ou menos 1 hora... de repente o negócio estourou, voltamos ao ritmo de 2 em 2 minutos com duração de 1 minuto.
Fui, então para o chuveiro, por sinal horrível já que a água não era quente o suficiente, mas foi bom, dei uma relaxada... continuava me acocorando nas contrações e nos intervalos intercalava em ficar quietinha, ou fazendo exercício de rotação pélvica para ajudar a descida... Importante dizer que a "dor" era totalmente suportável... era cansativo, mas dava para levar sem problemas.
Enquanto isso, Dr. Francisco foi providenciar a preparação da sala de pré-parto especial (onde existe uma cadeira de parto de cócoras e uma banheira)...
Depois de ums 40 minutos de banho, saí e aguardamos a liberação da sala!
A uma da tarde, fomos para a tal sala especial... me decepcionei quando cheguei lá (não tinha podiado conhecer, quando visitei a maternidade)... era um quarto normal, com uma cama normal e com um micro banheiro onde num canto estava uma também micro banheira... hehehe... Mas enfim, não me estressei...
A Fadynha logo colocou um cobertor no chão e lá fiquei ajoelhada ou deitada sobre as pernas, enquanto ela aplicava uma massagem com óleo de arnica ou Tei-fur (não sei o certo) na minha lombar, o que era ótimo!
Nisso, as contrações pareciam estar mais fortes, mas não em termos de dor, era uma sensação estranha, que infelizmente não sei descrever... então falei para o Edson chamar o Dr. Francisco, que aguardava na sala dos médicos...
Ele chegou, escutou a Nat... tudo ok... e fez outro toque... 9 cm de dilatação... e ele disse que poderia ir para a banheira se quizesse!
Detalhe a parte... não tem coisa mais terrível que esse exame de toque... isso sim que doi, não as contrações! Mas graças a Deus foram só esses três!
Resolvi ir para a banheira... que maravilha... a água é a melhor coisa que podia existir nesse momento... com a hidromassagem, então... muito relaxante e gostoso...
A sensação estranha se intesificava... era o expulsivo chegando, com a vontade de empurrar inexplicável... que coisa estranha que é essa tal "vontade de empurrar"... durante 9 meses me questionei de o que seria isso... e passado por ela... continuo sem saber!!! Mas de uma coisa eu sei e me lembro muito bem... que nessa hora me senti muito feliz, pois tudo estava indo bem e logo teria minha filhota nos meus braços!!!
Foram mais ou menos 40 minutos de expulsivo... o grande problema era o tamanho da banheira... Eu, com meu 1,79m de altura tinha uma dificuldade imensa de me ajeitar de cócoras naquela banheira e numa posição em que o Dr. Francisco tivesse acesso para amparar o bebe...
Mas também não me afligi com isso... mudava de posição, pra lá e prá cá... de lado, na transversal... a Fadynha "empuleirada" num espaço microscópico atrás de mim... me segurava durante as contrações, cantava mantras, enchugava meu rosto, me insentivava! Também ouvi algumas vezes o Edson me incentivando apesar de não saber direito de onde ele falava...
Essa hora é bem difícil de descrever... a sensação é de estar fora do corpo... eu ouvia as conversas... as vezes até queria dar algum palpite, mas também não conseguia falar... é muito estranho!
Neste momento, meu sonho de adolescente de ter um parto na água, estava se realizando... não me importava a dor na perna, nem o cansaço, nem o calor...
Toquei o cantinho da cabeça da Natália, quando ela ainda estava acho que 1 cm (mais ou menos) dentro de mim... Naquele episódio do "História de um bebe" que citei lá no começo, a mãe também acariciava a cabeça do nenem ainda dentro dela... isso era também um dos meus sonhos... maravilhoso você poder tocar o bebe ainda dentro de você! É como se tivesse acesso à aqueles 9 meses de gravidez!!
As últimas contrações foram bem difíceis, estava cansada e queria ver logo a carinha da Nat. Eu ouvia as falas do Edson, Fadynha e Dr. Francisco, que me
incentivavam e eu fazia força e mais força...
De repente, senti ela sair de mim... cabecinha, ombrinho, e pluft saiu... muito rápido...
Suavemente o Dr. Francisco trouxe ela para a superfície, mas sem tirar o corpinho da água, só tirou a cabecinha, e me deu... fiquei segurando aquela cabecinha miudinha, toda branquinha de vérnix (e quanto vérnix) aos prantos... um choro tão estranho quanto o período expulsivo... não sairam lágrimas, mas com certeza foi o choro mais emocionado da minha vida até agora!
Fiquei com ela nos meus braços por quase uma hora... conversava... acariciava a cabecinha, a carinha... só não dava para ver o resto do corpinho... pois colocaram um pano para ajudar no aquecimento.
Não sei quanto tempo depois, Dr. Francisco arrumou tudo para que o Edson cortasse o cordão umbilical. Tentei colocar a Natália no peito, mas ela não conseguiu pegar, pois meu bico é plano e estava molhado... ela queria, mas não conseguiu... coitadinha! Mas ficamos ali, ela me olhava com aquela carinha linda, como se
conseguisse me ver...
Então era a hora da primeira separação... a Natália foi com o pai e a pediatra para o berçario, para ser pesada, medida e vestida... lindíssima... 2,925 Kg e 47 cm....
Eu permaneci na sala, para a sutura de algumas lacerações do meu períneo... foram alguns pontos... mas aquele tempo me pareceu uma eternidade absurda...
queria ir logo embora dali, pegar minha princesinha no colo... olhar para ela direito... ver cada pedacinho dela!
A Natália não passou por nenhum procedimento de rotina.. não foi aspirada, não recebeu colírio de nitrato de prata, nem vitamina K! Isso tudo também só foi possível devido a pediatra que acompanhou a gente... Dr. Kátia Burigo... muito legal ela!!!
Então, finalmente fui para o quarto e lá encontrei o Edson e minha filhota todinha vestida de branco me esperando!
Considerações importantes:
1. As pessoas falam tanto sobre a "dor do parto", mas eu acho que ela não existe... o que eu senti não foi dor... foi muito mais uma sensação de plenitude, e "domínio" do meu corpo. Mas também acho que isso só foi possível devido a minha preparação psicológica para o parto, ou seja, pelo fato de eu ter estudado muito, saber pelo menos na teoria todo o processo, todas as fases pelas quais iria passar, e assim estar segura com tudo.
Eu ouso dizer que não senti dor durante o parto... Dor mesmo eu senti no primeiro dia de cólicas fortes da Natália, quando eu estava de mãos atadas vendo minha filha se esguelando... isso sim é dor!!!!
2. A participação da Fadynha foi impressindível para eu conseguir tudo isso, pelo apoio físico e emocional. Eu acho que todas as mulheres deveriam ter acesso a uma doula, pois neste caso acredito que menos pessoas optariam por uma cesárea eletiva."

Empoderamento

por Socorro Moreira

Empoderamento é um aportuguesamento do empowerment do inglês(espero ter escrito a palavra corretamente). Não tem uma tradução literal mas o sentido é de ter poder. De ter consigo, o poder de decidir, pensar, refletir e agir segundo seus próprios valores.

Empoderamento feminino no parto é quando uma mulher é agente e não paciente, quando ela decide dentre outras coisas, a posição de parir, quando seu bebê será afastado dela, se será cortada ou não. Mas não é só isso. Não são os atos, ou acontecimentos do parto que empoderam uma mulher(ou pelo menos não é só isso). É aquela sensação de vitória de conseguir, de força e de poder que algumas mulheres relatam após essa "façanha".

Construção do empoderamento da mulher na sua condição de mãe é quando a mulher cresce como mãe e como mulher,quando ELA toma as decisões relativas à sua cria e não a sogra, a mãe, a tia, a babá, a pediatra. Empoderar-se é acreditar em si mesma. Como parideira ,como mãe e como mulher.

sábado, 14 de junho de 2003

Obstetras

Esse é um texto que eu gosto muito e foi escrito pela obstetra Roxana e resolvi publicar.
***


"Médicos obstetras sabem muito. Sabem demais. Sabem operar, cortar, coagular, tirar os bebês mais difíceis, fazer partos muito complicados.
A maioria deles, são também ginecologistas e sabem tirar úteros, corrigir "bexigas caídas", e até tirar seios e curar diversos tipos de câncer.
Isso é muito bom. É ótimo.
Mas você é treinado a acreditar (não por maldade, obviamente, mas por crença mesmo, por dogma) que o parto é um procedimento médico. Que se alguma coisa pode dar errado, dará. Você deixa de ver o parto como o processo fisiológico que na realidade é e começa a enxergar patologias.
Olha, eu não estou falando do médico sacana, que programa cesáreas para poder ganhar a grana do parto e também curtir o final de semana na praia. Estou falando nos que acreditam no parto normal.
Acreditam no parto vaginal, mas não conseguem acreditar na mulher parindo sozinha. Sem ocitocina, sem cardiotocografia, sem citotec, sem episiotomia, sem uma mesa de cirurgia montada a seu lado.
Nós não fomos treinados para ver isso, fomos treinados para ver a patologia. A mente da gente é muito louca, e as crenças, as religiões são assim mesmo. Eu penso, por exemplo que passar das 41 semanas é perigoso. Aí vejo um bebê de 41 semanas e 3 dias que morreu ou ficou doente e penso - tá vendo como é perigoso mesmo!!! Isso fica gravado em minha mente a ferro e fogo. Aí eu conto para meus alunos - gente, passar das 41 semanas é um perigo, já ví vários bebês com problemas por isso.
Mas é um evento isolado, o bebê que eu vi pode ter morrido por outro motivo, mas como meu sistema de crenças reforça essa idéia eu o passo a frente.
Aí vejo umas 15 mulheres jovens e saudáveis que perderam o útero por terem feito cesáreas. MAs, ne minha religião, a cesárea é uma cirurgia salvadora. Eu não me permito enxergar o mal, onde fui treinada para ver o bem. Eu simplesmente não enxergo isso.
É assim que os obstetras são formados.
Eu sei, porque estive lá (parece relato de drogado em clínica de recuperação).
E digo mais, enquanto os partos forem realizados pelos GOs, treinados na mesma faculdade, nada vai mudar. Você gasta uma grana treinando o cara para fazer as mais complicadas cirurgias ginecológicas e depois quer que ele respeite a fisiologia do nascimento... Simplesmente , em sua maioria não é o mesmo perfil de profissional. De personalidade. Não dá certo. O cara quer ver sangue, quer cortar, quer tirar...
E quem não é assim sofre um bocado."

sexta-feira, 13 de junho de 2003

Como saber se o seu médico pretende enrolá-la e fazer uma cesárea desnecessária? Veja se ele se encaixa nesse perfil:

1) Nove entre dez amigas suas que fizeram o pré-natal com ele tiveram parto cesárea. A décima teve o bebê na porta do pronto-socorro.
2) Essas suas nove amigas tiveram cesáreas por motivos como: não teve dilatação, o cordão enrolou no pescoço, não tinha passagem (mesmo que ela não fosse viajar para lugar nenhum), estava passando da hora de nascer. Coincidentemente, foram todas em uma terça-feira.
3) Ele nunca desmarcou o consultório por estar fazendo um parto.
4) Quando você pergunta sobre maternidades, ele lhe lista aquelas nas quais ele opera.
5) Se você já teve outros filhos, ele nunca se preocupou em perguntar sobre seus outros partos. Se foram cesárea, ele nunca se lembrou de perguntar o porquê.
6) Ele nunca parou para examinar sua bacia.
7) Mesmo no fim da gravidez, ele não se preocupa em palpar sua barriga para avaliar o tamanho e a posição do bebê.
8) Ele comenta que não é do tipo que deixa as pacientes sofrerem.
9) Ele comenta que não gosta de arriscar (o que???).
10) Se você disser que a vida de médico é muito corrida, ele diz que consegue ajeitar bem os compromissos.
11) Ele começa a fazer exames de toque com 30 semanas e comenta, com ar tristonho, que você não está tendo dilatação.
12) Ele nunca lhe explica nada sobre: mecanismo do parto, vantagens do trabalho de parto e do parto normal, como se preparar, como reconhecer o trabalho de parto, etc, mesmo que você pergunte. Afinal, você não terá chance de usar essas informações mesmo.
13) Ele descobre a data do aniversário de toda a sua família: você, seu marido, seus pais, seus sogros, etc. Depois passa a comentar como seria legal se o bebê nascesse no dia xx/xx para homenagear o Tio Fulano.
14) Se você perguntar se o seu parto vai ser normal, ele lhe dirá que isso vai depender da conjunção de muitos fatores (o que obviamente nunca ocorrerá). Se você perguntar se seu parto vai ser cesárea, ele marcará a data.

quinta-feira, 12 de junho de 2003

Shantala


imagem_materia
A massagem oriental para bebês que foi trazida para o ocidente por Leboyer e introduzida no Brasil pela professora Fadynha, em 1978.

Clique aqui para aprender a fazer

Entrevista com Marília Largura no Mais Você!!!

Ontem a parteira Marília Largura participou do programa Mais Você, com a Ana Maria Braga, na Rede Globo:
Veja o bate-papo de Ana Maria Braga com dona Marília Largura, parteira há mais de 50 anos em:
http://maisvoce.globo.com/variedades.jsp?id=8069
Marília Largura possui o site www.partohumanizado.com.br
Marília Largura participou do parto da Débora, que teve o Pedro Gabriel de parto pélvico, ou seja, o neném nasceu sentado, de bundinha :-)
Veja o relato:
O nascimento de Pedro Gabriel.
Dia 30/03/2003 à 0:45h - pesando 2.950g
Parto natural pélvico vaginal

Dia 1
Debora teve contrações não dolorosas durante todo o dia, a cada 10 minutos
17h - Debora vai tirar a pressão, pois na véspera o aparelho do médico não estava funcionando e ele pediu para ela fazer uma medida.
Resultado: 15 x 10. Suspeita de pré-eclâmpsia
18h - Cheguei com a Marilia, discutimos a questão, resolvemos a conselho do médico, fazer um teste de proteinúria no Hospital mais próximo.
22h - Saída para o hospital
meia noite - Exame vai demorar, fomos comer comida japonesa esperando o resultado 1h da madrugada - Exame deu positivo, há proteinúria, o quadro indica pré-eclâmpsia, Dr. Jorge recomenda internação para sulfatação (medicamento que ajuda a impedir convulsão).
2h da madrugada - Chegamos ao hospital da internação, não podemos dizer que o bebê está pélvico, nem que Debora está em trabalho de parto, para não provocar uma cascata de intervenções. Medimos a pressão na chegada: 13 x 10. Debora lembra que a pressão no pré-natal foi mais pra 12 x 9 do que para 11 x 7. Ligo para o médico, decidimos repetir o exame de proteinúria antes de fazer a sulfatação, que leva 24 horas e ela teria que ficar sozinha no centro obstétrico, sem acompanhante, em trabalho de parto.
4h da madrugada, exame ainda não está pronto, ligamos para Dr. Jorge, falamos sobre a pressão média do pré-natal, ele decide liberar Debora para voltar para casa.
Fomos cada qual para a sua casa descansar um pouco e aguardar o início da fase ativa.
Dia 2
10h - Debora sai para medir a pressão, que está 11 x 7. Não era hipertensão, embora houvesse proteinúria. Ela passa o dia com
contrações a cada 10 minutos, mas sem dor. Cada qual está na sua casa
18h - Nova medida de pressão: 16 x 12. Ela se assusta, liga pra mim, peço para ela ir tomar um banho demorado. Ligo pro Dr. Jorge, ele entende que a pressão dela é mesmo muito variável e sujeita às oscilações provocadas pela tensão. A oscilação não é característica da hipertençsão. Marilia explica que é comum a mulher ficar mais apreensiva e com um pouco de medo conforme chega o final do dia e começa a escurecer. Dr. Jorge receita um tranqüilizante fitoterápico para ela, que então dorme profundamente das 23h às 8h do dia 03.
Dia 3
9h - Marcos me liga pois Débora já tem contrações com alguma dor, a cada 5 minutos. Pego Marilia em casa e vamos para lá. Marilia faz um exame de toque: 1 cm. Contrações de 30 segundos a cada 5 ou 6 minutos. Dani, uma das irmãs, já está no local. Chega Estrela, a irmã caçula. E assim passamos a manhã, nós 6, conversando, contando piada, decidindo o que fazer. Estrela e Dani fazem uma deliciosa macarronada com molho de frango.
14:30h - Suspeita que bolsa rompeu, tampão começa a ser eliminado, novo exame de toque, bebê elimina mecônio na mão da Marilia. Primeira grande c*gada do Pedro Gabriel... Dilatação está 3 para 4 cm, contrações já duram 45 a 50 segundos. Hora de ir embora.
15:30h - Chegada no Hospital, Dr. Jorge chegou na frente e já conversou com as enfermeiras, que permitiram o trabalho de parto no apartamento comum, pois não há suíte de parto. Internamos e fomos para lá. É feito um monitoramento fetal de 20 minutos, dilatação está para 6 cm. Vamos para o banho.
até 19:30h alternamos o acompanhamento da Débora entre todos nós, com direito a banho, descanso, mais banho, massagem, carinho, frases curtas para animar. Dilatação já está em 8 cm, Débora está brava, começa a perder a paciência, mas está firme. Pede algum remédio, "porrada na cabeça", qualquer coisa. Toma uma dose de Plasil, que não faz efeito algum, aparentemente. Mas ela está firme, apesar do cansaço.
20h - Vamos para o centro cirúrgico, pois o parto pélvico, mesmo vaginal, tem alguns riscos e não há tempo de transferir na hora do
problema. No centro cirúrgico chega a Dra. Andrea, assistente do Dr. Jorge. Ficamos então das 20h à meia noite todos juntos no C.O., alvos da curiosidade local. De cócoras, de pé, andando, Marcos foi um companheiro super forte, ajudando-a nas contrações, dando conforto, dizendo coisas muito legais pra ela. De vez em quando um de nós saía para tomar água ou comer uma bolachinha na salinha de "conforto". Às 21h Dr. Jorge autoriza 1/3 de dose de Dolantina, que acaba virando 1/10, por erro da enfermeira. Mas foi o sufiente para ela dar uma relaxada básica. Só que o efeito da droga passou e ela continuou muito relaxada. Estava super concentrada nas contrações e perto das 23h começou a ter vontade de fazer força.
Meia-noite - Debora vai para a mesa de parto e fica na posição de Simms (de lado) para empurrar o bebê. Começa a aparecer um pontinho branco (o bumbum) cada vez que ela fazia força. Chega a pediatra, fica por perto. Chega o anestesista e fica por perto. Chegam os plantonistas, que nunca viram um parto pélvico lá e ficam por perto (atrás da porta, escondidinhos).
0:15h - Debora fica em posição de parto, com as pernas na perneira.
Manobra para parto pélvico: o bumbum começa a aparecer e o médico empurra o bebê com uma compressa, para ele ficar todo socadinho, como um ovo, aumentando o diâmetro do bumbum que vai sair. Isso ajuda a dilatar o canal, de modo que ombro e cabeça não fiquem presos. A parteira guia a cabeça do bebê por cima, com a mão, para que o pescoço não se dobre. O médico pára de comprimir, e lá vem o bumbunzinho, lindo, fazendo muito cocô. As pernas estão junto ao tórax, vem tudo junto saindo. Sai um braço, sai outro braço. Outra manobra e o médico dobra o corpinho do bebê para cima. A cabeça ainda está lá dentro, são poucos segundos que parecem muitas horas.
Um silêncio histérico. Nem um pio. Apenas os gemidos vindos do fundo da garganta de Débora enquanto ela faz força. A voz de comando do médico para a assistente. "Solta aqui, dobra pra cá." O médico diz alto: "Força agora, mãe!" Débora faz uma última força gigantesca, o médico faz uma pequena episiotomia mediana, põe o dedo lá dentro, puxa o queixinho do bebê e a cabeça sai num "Blupt".
Nasceu, nasceu, meu Deus.. nasceu Pedro Gabriel, branquinho como a mãe...
O médico segura Pedrinho abaixo da altura da mãe, sem cortar o cordão. Com uma cânula tira a secreção do nariz. O bebê está quieto.
Começa a fazer uma boquinha, espuminha e resmunga bem baixinho: unhé...
Silêncio total, ouve-se a respiração ofegante de Debora, pelo esforço. Mais um resmungo.. unhé... ele começa a mexer os bracinhos...
Começam todos a chorar, Marcos e eu estamos descontrolados. Débora vê o bebê, o cordão é cortado, já não pulsa.
O bebê é colocado sobre o colo de Débora que começa a conversar com ele docemente, acalmando, fazendo carinho. Aparece uma coberta para cobri-lo. Debora também está chorando.
Por trás das máscaras dos médicos, das enfermeiras, muitos olhos brilhando.
O relógio começa a bater novamente, tic-tac, tic-tac..
Todos se abraçam, todos parabenizam Debora, todos se parabenizam.
Uma vitória fantástica do casal mais obstinado que já conheci.
Uma vitória de uma equipe que mesmo sem nunca ter trabalhado junta esteve em perfeita harmonia durante todo o tempo.
Uma vitória da humanidade, da fé, da esperança.
Uma vitória das mulheres, dos homens, dos bebês.
Uma vitória da natureza sobre a tecnocracia.
Uma vitória da luz.
À equipe do Dr. Jorge e Dra. Andrea, fica também meu agradecimento e minha admiração eterna pela forma humana, respeitosa com que trataram a mim, à parteira Marilia e principalmente ao casal Debora e Marcos.
Parabéns pela competência e pela persistência. Vocês foram simplesmente fantásticos.
À parteira Marilia Largura, fica a alegria de ter compartilhado um parto com uma mulher sábia, experiente, forte, que soube ser doce o tempo todo, firme quando foi preciso, técnica nas horas necessárias, brilhante em suas colocações e em sua conduta. Mais uma vez tive a certeza de que parteiras são mesmo mulheres especiais, com um pé na terra e outro com os anjos.
Mas à minha querida Debora e ao meu querido Marcos fica meu agradecimento profundo por essa horas de prazer, de alegria, de gozo, de vitória. Meu agradecimento por ela ter dado novas esperanças a todos nós. Renovou a fé de todos os profissionais envolvidos. Fé na mulher, fé no parto natural, fé na natureza. Que Deus esteja sempre protegendo e abençoando o caminho de vocês três. Pedro Gabriel veio ao mundo com o bumbum virado para a lua. Mas não sabe ele que a grande sorte não foi ter nascido de bumbum, mas foi ter nascido da união de um casal maravilhoso, forte, guerreiro.
Ana Cristina Duarte - a doula
31/03/2003
http://br.groups.yahoo.com/group/amigasdoparto/message/19634
http://br.groups.yahoo.com/group/amigasdoparto/message/19560

Ultrassonografistas Engraçadinhos

vida1
"Olá Meninas
Hoje fui fazer um ultra-som de rotina e o ultrasonografista falou que provavelmente terei que fazer uma cesárea, pois a minha princesinha será grande e que vai ser difícil eu ter passagem.
Pela data da última menstruação eu estou com 27 semanas, mas pela ultra estou com 28 semanas.
Ele falou que tem uma medida limite da cabeça do bebê, para ter um parto normal e que se passar desse limite a mulher não tem passagem para ter um parto normal. Vocês já ouviram falar nisso?
Estou um pouco triste e angustiada, pois sou totalmente a favor do parto normal e eu quero ter um parto normal.
O que vocês acham?
Preciso saber a opinião de vocês até eu voltar no meu médico, pois só tenho consulta no dia 30/06." - ComentaCíntia
Respostas:
Roxana (obstetra)
"Esse médico do ultra-som é um louco. O diagnóstico de Desproporção Céfalo-Pélvica (DCP) se faz no trabalho de parto.
Com 28 semanas ele nem pode supor o peso do seu bebe ao nascimento. Beijos e fique fria"
Ana Paula (neonatologista)
"Só se o ultrassonografista for também vidente, Cintia! 27 semanas é muito cedo para prever o peso final do bebê. Além disso,este diagnóstico é feito intraparto, isto é, mulher em trabalho de parto, com dilatação e o bebê não desce."
Ana Cristina Duarte (doula)
"Só pra reforçar a mensagem da Roxana, ultrassonografistas deveriam ficar com os pés amarrados na maca e um esparadrapo na boca. Então poderiam fazer o ultrassom (uma mão algemada no transdutor e a outra algemada no painel do aparelho).
Depois que a mãe saísse ele apertaria um botão com o pé livre e a enfermeira poderia soltar uma das mãos para ele escrever o relatório.
Em seguida é só algemar de novo.
Grande parte dos sonhos de parto normal acaba na mesa do ultrassonografista com comentariozinhos inteligentes como:
- uhmmm seu bebê é bem grandinho, hein??? (3.000g na última semana de gestação)
- ish... ele ainda está sentado (com apenas 25 semanas)
- nooooossa, que cabeção!!!!
- ai ai ai, não estou gostando dessa placenta... (bom, alguém pediu pra você comer, Dr.??)
Os médicos deveriam fazer pedidos de ultrassom assim:
"Ultrassom obstétrico sem comentários"
"Ultrassom morfológico sem gracinhas"
"Translucência nucal de boca fechada"
Beijos,
Ana Cris, que não agüenta falta de ética básica"

quarta-feira, 11 de junho de 2003

A chegada da Hellen

http://br.groups.yahoo.com/group/amigasdoparto/message/22491
images
Nasceu dia 06 de junho de 2003 a Hellen, filha da Rachel. A obstetra foi a Roxana. A Hellen nasceu de cesariana, após um trabalho de parto muito longo e cansativo.
Leia o relato, feito pela obstetra:
"Queridos amigos da Lista:
Somente agora consigo usar o computador, mas vou contar para vocês minha versão da chegada da Hellen. A Rachel pediu para fazer isso, que depois ela conta a versão dela.
Nós inicialmente achávamos melhor ser um parto domiciliar, lá em Blumenau. MAs o hospital em Blumenau não permitia que eu fosse a médica dela se o parto recisasse ser hospitalar. Mesmo após eu ter mandado todos os meus diplomas e registros do CRM, eles não permitiram porque os documentos não estavam autenticados!! Como na casa da sogra dela não dava para tentar o parto domiciliar, resolvemos vir para uma clínica aqui em Florianópolis.
Na segunda feira de madrugada ela começou a sentir dores e outros sintomas que nos fizeram pensar em um trabalho de parto. Ela passou no hospital em Blumenau (não queríamos que ela viesse se houvesse algum problema). O médico plantonista ofereceu gentilmente uma cesárea, já que o trabalho de parto havia começado. Assim, eles vieram para Florianópolis de madrugada. MAs as contrações pararam.
Então eles esperaram mais dois dias, para ver se as contrações voltavam, mas nada aconteceu e a família voltou para Blumenau. Na quinta de noite, a Rachel me ligou de noite. As contrações estavam regulares! A Rachel, o marido e uma prima (que foi a Doula) vieram para a maternidade. Eu os encontrei às 00 horas e a Rachel estava em franco trabalho de parto, com 3 centímetros de dilatação. As contrações eram fortes, por isso resolvemos já ficar na maternidade.
Ela estava aguentando firme e forte, com contrações intensas. Fez exercícios, tomou banho. Foi realmente exemplar!
Às 5 e meia da manhã, fiz um toque e ela estava com 4 centímetros. A cabeça da nenê estava bem encaixada, então no toque vaginal eu rompi a bolsa. O líquido estava com um pouquinho de mecônio, mas era bem flúido, então não me preocupei. O coração da nenê sempre se manteve batendo forte, sem nenhum sinal que pudesse indicar sofrimento. Como as dores eram intensas, fizemos acupuntura.
Às oito da manhã, com 5 centímetros, ela estava exausta. Não conseguia descansar entre as contrações, tinha muitas cólicas. Conversamos sobre as nossas possibilidades para aliviar a dor, e escolhemos tomar uma Dolantina.
(Achei que tanto a Rachel, quanto o marido e a Doula estiveram muito presentes em todas as decisões. Isso foi muito legal! A Rachel, mesmo
com muita dor e muito cansada, participou ativamente de todo o processo, como deve ser!).
Com isso ela conseguiu relaxar um pouco, descansou, as dores ficaram mais suportáveis.
ÀS 10 da manhã estava com 6 quase 7 centímetros. A cabeça estava encaixada, transversa e um pouco alta para a dilatação. Mas o trabalho de parto estava progredindo bem, esperamos.
Às 12:30, após muitas contrações muito intensas (A Hellen nem se alterava, continuava super-bem - o que me deixava muito tranquila) o toque estava mantido, os mesmos centímetros,a cabeça no mesmo lugar.
Liguei para o disk-parto humanizado, nosso amigo Ric, para ver se ele tinha alguma idéia. Ele tinha. Me ensinou uma manobra para ajudar o bebê e me auxiliou com uns remédios homeopáticos.
Fizemos a manobra diversas vezes. A Rachel foi uma heroina. Estava com muita dor, muito cansada, mas fazia exercícios pélvicos, andava, fazia o que podia. Quero dizer também que a Doula e o marido foram dez! Davam o maior carinho e suporte, ajudavam, insentivavam, tudo.
O bebe desceu e mudou a posição da cabeça para uma mais favorável, mas o colo não dilatou mais. Tudo bem com o foco, então esperamos.
Às 15:30 ela não aguentava mais, o colo estava mantido. Optamos por fazer uma analgesia, para ver se conseguiamos um relaxamento do colo.
Na evolução após a analgesia (qe foi uma dose baixa e ela conseguiu ficar sentada todo o tempo) o colo não se dilatou e começou a haver uma distensão do segmento. Como a Hellen estava ótima, aguardamos mais um pouco. Mas a dilatação não evoluiu. O colo se manteve nos 7 centímetros.
Às 17:30 fizemos a cesárea. A Hellen nasceu linda, a cara da mãe. Logo foi para o peito e mamou bem bonitinha!
A Rachel ficou bem chateada, eu também. Mas sei que fizemos tudo o que podíamos. Esperamos o que deu. Foram 17 horas desde a internação até o parto!!!
Acho que é o tipo de frustração que a gente tem que aprender a lidar. Eu adorei acompanhar a Rachel nessa viagem, me senti honrada deles terem me escolido e confiado em mim.
Parabéns Rachel e Hugies, pela linda filhota!
Parabéns Hellen, pois seus pais são guerreiros! Eles sabem o que querem e não desistem, apesar de todas as dificuldades! Nas horas que passamos juntos, pude perceber todo amor dessa família, toda a determinação. Você é mesmo uma sortuda!
Beijos
Roxana"

Gravidez de gêmeos: Posso ter um parto normal?

small_Elki
http://br.groups.yahoo.com/group/amigasdoparto/message/22373
Uma gravidez gemelar não é uma gravidez sem riscos, ou de risco muito baixo, como costumamos nos referir à maioria das gestações.
É um processo bem mais complexo. A dinâmica de ter dois fetos no útero imprime uma outra compreensão e preparo.
Com isso quero dizer que essa situação específica da gemelaridade deixa a situação um pouco mais delicada, fugindo à grande maioria de nascimentos que
vemos todos os dias.
A chance de ter os bebês de parto normal é variável. Se vc for observar as estatísticas de uma cidade como Porto Alegre vai notar que gêmeos nascidos de parto normal de pacientes da classe média não fazem mais do que 5%.
É isso aí: 95% de chance de cesariana.
Mas como dizia a Robbie, o principal fator determinante de um sucesso no nascimento de uma criança é a postura filosófica do cuidador da saúde, seja ele uma parteira ou um médico.
Se sua irmã encontrar um profissional que a proteja e discuta abertamente essa questão com ela, terá uma boa chance de ter sucesso.
Lembre-se que há alguns meses uma participante da lista teve um parto pélvico sendo primigesta.
O que dizem sobre isso nos círculos médicos mais tradicionais (e menos atualizados)?
Não dá, não vale a pena, etc...
Se vc olhar as estatísticas verá que as chances de parto normal não são muito maiores do que os 5% que acabei de citar em relação ao gemelar.
E porque então ela conseguiu? Porque teve sucesso onde tantas se frustram? Porque soube escolher um profissional (no caso o Jorge Kuhn) que estava capacitado a escutar os desejos e sonhos de sua paciente, e não serviu como freio para os seus propósitos.
Diga a sua irmã que se ela quiser ter um parto normal dos gêmeos terá que lutar. A primeira e mais difícil luta será para encontrar um profissional atualizado e consciente.
O resto vem naturalmente
Ricardo Herbert Jones - obstetra humanizado - REHUNA
"Se o seu médico tem um padrão intervencionista, você terá um tratamento intervencionista. Infelizmente, acho impossível um obstetra ser 'iluminado' justamente no meu parto. E para qualquer outra situação normal. Se o médico faz muito episio você vai ganhar uma e assim por diante.
E se você quiser acreditar no contrário será um puro exercício de auto engano muito comum hoje em dia."
Ruth Rossi, complementa.

Minha filha tem icterícia! O que é isso? Como resolver?

"Pessoal, o que é icterícia?
A Bia está com um leve amarelado na pele e a médica disse que é ictericia, mas que pode ser resolvida com banho de sol.
O problema é que tem um foco de dengue no meu prédio, não dá pra descer com ela pra tomar sol.
Alguem pode me esclarecer?"
Essa é a dúvida da Socorro Acioli, que teve sua filha Beatriz há 1 mês de um parto de cócoras.
Toda vez que as células vermelhas do sangue ficam velhas, nosso organismo trata de destruí-las. O produto final desta tarefa é a bilirrubina indireta a qual é encaminhada ao fígado para que este possa transformá-la em bilirrubina direta para que nós possamos eliminá-la. Em algumas situações, o fígado não consegue dar conta de metabolizar toda a bilirrubina e então, ela se acumula no nosso organismo produzindo a icterícia.
É muito importante saber qual bilirrubina está aumentada pois, a investigação e o tratamento são totalmente diferentes. Nas doenças do sangue ocorre aumento da bilirrubina indireta e nas doenças do fígado ocorre aumento da bilirrubina direta.
Um bebê, logo após o nascimento, pode apresentar um pouco de icterícia. Aliás, quase todos os bebês apresentam. É a chamada icterícia fisiológica. É fisiológica porque não é doença. Os bebês nascem imaturos e não conseguem metabolizar toda bilirrubina mas, isso se resolve sozinho em, no máximo, duas semanas. Por
isso, as mamães são orientadas a levar seus bebês para tomar sol. O sol ajuda o corpo a fabricar vitamina D e melhora a icterícia.
Leia mais em:http://www.hepcentro.com.br/bebe_icterico.htm

Deixar a natureza agir ou fazer a curetagem?

O que é a curetagem?
O obstetra Ricardo diz:
"A curetagem é uma raspagem no útero feita com um instrumento cirúrgico chamado cureta, que nada mais é do que uma colher vazada no meio.
Entretanto, mesmo que não se corte nada, é uma cirurgia, e assim deve ser encarada, porque frequentemente inclui anestesia, medicação anestésicas e analgésicas, e pressupõe uma preparação e resguardo.
A aspiração é a mesma coisa, porém usa um outro aparelho, que é o aspirador, que se assemelha a um aspiradorzinho de pó, com pressão negativa.
A maioria dos procedimentos no Brasil é pela curetagem mesmo.
Eu gosto de chamar de cirurgia para que as pessoas não se iludam pensando que nenhum tipo de preparo é necessário e que nenhuma espécie de desconforto e/ou risco está relacionado. Prefiro dar a dimensão mais exata do que se trata."
Ele prefere que deixa a natureza agir e expulsar qualquer resíduo que ainda exista no útero: "Eu vejo que quando esse processo ocorre sob o controle das pacientes (no
caso de aguardar uma expulsão espontânea) existe uma probabilidade maior de que o evento seja incorporado como experiência positiva para essa paciente e pelo seu círculo íntimo de relação".
Porém, muitas mulheres se submetem à curetagem pois a espera da expulsão espontânea pode ser, segundo elas, um processo demorado e desgastante emocionalmente, tendo em vista a perda de um filho. Em algumas situações não há o sangramento expulsivo, sendo necessária a curetagem.
Bel diz não ter tido uma experiência tão ruim assim, ela teve a sorte de encontrar bons profissionais que respeitaram suas decisões. Ela ficou lúcida, sob efeito de calmante, e utilizaram o processo AMIU, segundo ela, completamente indolor na sucção de restos placentários. Feito isso, logo conseguiu engravidar novamente.

Posições para Amamentar

fonte: http://www.aleitamento.com/posicoes.htm

 

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LEI DO ACOMPANHANTE NA HORA DO PARTO

PARTO HUMANIZADO - DIREITO DAS MULHERES
PL 290 - Direito de Acompanhante na hora do Parto
Está em tramitação na Câmara Federal o Projeto de Lei 290/03, de autoria da deputada federal gaúcha Maria do Rosário (PT).
O projeto visa garantia às mulheres, no momento do parto, o direito deter um/a acompanhante de sua livre escolha, de forma a sentir-se mais segura e protegida. Para tanto determina que o SUS deva assegurar em seus hospitais, bem como em estabelecimentos conveniados, esse direito.
O projeto foi concebido no conceito da humanização do parto difundido pela Rede Feminista de Saúde, segundo o qual "... é o de uma atenção que reconhece os direitos fundamentais de mães e crianças, além do direito à tecnologia apropriada, baseada na evidência científica. Isso inclui: o direito à escolha do local, pessoas e forma de assistência no parto; a preservação da integridade corporal de mães e crianças; o respeito ao parto como experiência altamente pessoal, sexual e familiar; a assistência à saúde e o apoio emocional, social e material no ciclo gravídico-puerperal; e a proteção contra abuso e negligência".(Humanização do Parto. Dossiê.2002)
O Coletivo Feminino Plural, entidade não governamental que presta consultoria em relações de gênero, direitos humanos e cidadania de mulheres e meninas, ofereceu subsídios para a formulação e análise deste projeto sob a ótica das garantias oferecidas pelas Convenções e legislações nacionais que tratam da igualdade, saúde e direitos reprodutivos.
Consideramos que o mesmo é merecedor de discussão na agenda do dia 28 de Maio - Dia Mundial de Ação pela Saúde da Mulher, na medida em que a elevada Mortalidade Materna, tema que tanto nos mobiliza, tem profundos vínculos com o momento do parto, com os direitos humanos e a possibilidade de escolha pelas mulheres.
PL-290/2003 - texto integral
Proponente: Dep. Maria do Rosário PT/RS
Situação: Em tramitação
Dispõe sobre a presença de acompanhante no processo de parto nos hospitais, clínicas, maternidades da rede pública e estabelecimentos conveniados ao Sistema Único de Saúde - SUS - e dá outras providências.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Os hospitais, clínicas, maternidades públicas e estabelecimentos conveniados ao Sistema Único de Saúde - SUS - devem garantir o direito à presença de acompanhante no processo de parto.
I - entende-se por processo de parto os períodos de admissão, pré-parto, parto e pós-parto imediato; e
II - a cada gestante será assegurado o direito à escolha de um (a) acompanhante de seu relacionamento.
Art. 2º O Ministério da Saúde, no âmbito da rede hospitalar pública federal e as secretarias estaduais e municipais de saúde, no âmbito da rede pública hospitalar estadual e municipal, deverão promover seminários, cursos e treinamentos, com vistas à capacitação dos profissionais da saúde, em especial médicos, equipe de enfermagem e demais profissionais que compõem a equipe de saúde, atendendo os propósitos deste direito.
I - O Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais de saúde deverão garantir a participação de técnicos e representantes de sociedades de classe e organizações não governamentais, nas atividades previstas no caput deste artigo; e
II - devem ainda, estabelecerem intercâmbios com universidades e hospitais universitários, visando o desenvolvimento de pesquisas sobre o tema e assinando convênios, se necessário.
Art. 3º O Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais de saúde deverão desenvolver ações educativas de caráter eventual e permanente sobre o tema, nas quais deverão constar:
I - campanhas educativas de ampla divulgação;
II - elaboração de material didático para profissionais da rede pública de saúde e educação;
III - elaboração de cartilhas e folhetos explicativos para a população.
Art. 4º Os hospitais, clínicas e maternidades públicas, à vista das condições materiais do estabelecimento, deverão estabelecer parâmetros para o cumprimento do artigo 1º desta lei.
Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Motivos Reais para se fazer cesárea: não se deixe levar!

O diagnóstico da necessidade da cesárea não se dá por circulares de cordão ou tempo de parto.
Um parto pode demorar 48 horas.
O diagnóstico de sofrimento fetal se dá pelos batimentos cardíacos e de preferência pela análise do PH do sangue do bebê, o que não é muito usado no Brasil.
Então a gente usa mesmo os batimentos cardíacos.
INDICAÇÃO DE CESÁREA ANTES DO PARTO:
* Placenta prévia: raro e claro
* Herpes Genital com Lesão Ativa: raro e claro
* Bebê em Posição Transversa: raro e claro
INDICAÇÃO DE CESÁREA DURANTE O TRABALHO DE PARTO:
* Eclâmpsia: Raro e Claro
* Prolapso de Cordão: Raro e Claro
* Descolamento Prematuro da Placenta: Fácil de diagnosticar, raro de ocorrer
* Desproporção Céfalo-Pélvica: Altamente discutível, largamente usada de forma errada
* Parada de Proporção: Altamente discutível, largamente usada de dorma errada
* Sofrimento Fetal Agudo: Altamente discutível, largamente usada de forma errada
NÃO É INDICAÇÃO DE CESÁREA
* Circular de cordão (não importa quantas)
* Parto prolongado
* Expulsivo prolongado
* Pós-datismo (passou de 40 semanas)
* Pressão Alta
* Bacia "muito estreita"
* Bebê "muito grande"
* Cesárea anterior
* Primigesta Senil
* Primigesta Adolescente
* HPV, verrugas genitais, miomas, cistos, duendes e elfos, etc.

DISCUTE-SE MAS NÃO HÁ PROVA DE QUE UMA CESÁREA ELETIVA SEJA MELHOR A LONGO PRAZO:
* Bebê Sentado
* Mais de uma cesárea anterior
* Bacias deficientes (sem a tentativa de parto normal)
* AIDS

O que mais se discute, no final das contas, entre as pessoas que realmente acreditam no parto normal, é o tal "Sofrimento Fetal Agudo". O que geralmente acontece é que o sofrimento fetal não é algo que acontece de repente. O bebê está super bem e de repente descamba. Isso é muito raro, mas pode ocorrer. Geralmente o sofrimento fetal começa com alguns comportamentos conhecidos dos batimentos cardíacos. E é comum esses comportamentos regredirem ou não darem em nada, caso continue e se tentar o parto normal. Mas algumas vezes ele de fato evolui para um sofrimento severo. Então quando o bebê começa a apresentar esses comportamentos (DIP II, acelerações, compressões, etc), é hora de decidir junto com a mãe... E também é necessário conhecer bem a teoria e as indicações baseadas em evidências, coisa que poucos conhecem...
Saiba mais sobre sofrimento fetal
Por Ana Cristina Duarte, uma das fundadoras das Amigas do Parto

segunda-feira, 2 de junho de 2003

Partos e Planos de Saúde: O que esperar?

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Hoje, Patrícia desabafou:
"Realmente estamos a mercê dos planos e dos médicos.
Quando decidimos fazer o plano de saúde, foi mais para ter os exames e as consultas de "graça".
Mesmo assim, fomos conhecer a maternidade do plano (é só uma, mesmo), e apesar de nãos ser lá grande coisa, achamos legal.
Mas ai, o tempo foi passando e as discussões da lista me fizeram pensar em coisas que eu não pensava antes.
A tal maternidade não faz alojamento conjunto...quer dizer, faz mais ou menos, eles levam o bebê pra trocar e outras coisas que eu não sei ainda, preciso verificar.
Na época que fomos conhecer, eu perguntei sobre acompanhante, mas não lembro as respostas, o Cá disse que pode.
Ontem encontrei uma amiga que ia ter o bebê lá, mas desistiu na hora, porque o anestesista barrou o marido dela.
Pensei que a saída pra mim seria o hospital que atende pelo SUS, meio humanizado... mas li no contrato (ontem) que se o parto for realizado fora da maternidade deles, o bebê perde o direito de ser incluido no plano.
E que para o médico receber reembolso, precisa ser uma emergência e a situação ainda será analisada. O que limita as possibilidades de parto domiciliar...
Não que eu ache que a minha médica seria capaz, na verdade estava pensando e burlar o sistema, fazer o parto com um enfermeira obstétra e depois que tudo estivesse ok, ligar para a médica e dizer que o bebê "escorregou"...ops!
Tô num mato sem cachorro..."
Rosane também se decepcionou hoje com a sua médica, que disse que para fazer um parto normal, cobraria R$400,00, além do que era pago pelo plano de saúde. Deixou bem claro que preferia fazer uma cesariana mesmo que desnecessária:
"Estou muito triste porque fiquei sabendo essa semana que minha médica cobra 400 reais por fora caso eu queira fazer parto normal.
Eu tenho plano de saúde completo, e achei que não teria problemas com essa médica por ela dar plantão em hospital público onde, segundo ela mesma fala, 90% dos partos são normais.
Mas tive uma conversa com ela essa semana e ela deixou bem claro que prefere cesárea, e que não admitir isso seria uma hipocrisia (palavras dela).
Eu falei que estava me preparando para um parto normal, que queria muito isso, e com o mínimo de intervenções possíveis.
Ela disse que faria sem problemas, mas que nesse caso ela cobra essa taxa extra já que não pode programar a agenda como no caso de uma cesárea. Quer dizer, o fato dela não ter o nascimento da minha filha sob o controle dos horários dela, e de não ser tão cômodo para ela custa exatamente 400 reais. E, segundo ela, se eu pagar essa taxa, ela ficaria à minha disposição e faria o parto da maneira que eu achasse melhor.
Fiquei muito triste. Na verdade senti nítidamente uma pressão para que eu fizesse cesárea. Estou de 20 semanas e gosto dessa médica porque ela é tranquila, calminha e conversa bastante, mas não me resta outra alternativa e eu vou procurar outro médico. Mesmo porque eu já fiz um plano de saúde completo para não ter gastos extras.
Se alguém souber de um médico em Fpolis que atenda pela Unimed e não cobre a mais para fazer parto normal, por favor me indique.
Outra coisa: ela disse que eu poderia fazer o parto sem pagar nada com o médico que estivesse de plantão naquele momento na clínica, mas eu acho que não iria me sentir segura nem muito à vontade em fazer o parto com um médico que eu nunca vi na vida.
Espero que me ajudem, estou ficando preocupada."
Como podem perceber, é muito difícil ter um parto decente no Brasil, e um dos fatores é o baixo valor que os planos de saúde pagam.
Leia abaixo o comentário bem-humorado, porém verdadeiro e fiel, feito pelo obstetra Ricardo sobre essa situação:

Plano de saúde paga parto medíocre

"Plano de saúde paga parto medíocre.
Se vc quiser, pode ter um parto "como todo mundo", um parto padrão. Um parto como a gente sabe que acontece a toda hora. Tipo: interna de manhã cedo, raspa a periquita e faz lavagem, põe soro, aguarda um pouquinho, o marido fica lá fora, depois a médica vem, faz um exame, diz que tá no comecinho, acrescenta ocitocina no soro e um monitor amarrado na barriga ("não se
mexa", dizem as enfermeiras, "senão perdemos o foco"...), sai para tomar um cafezinho (ou volta para atender no consultório), depois retorna para (re)avaliar o colo e não fica satisfeita com o resultado (faz um muxoxo, franze a testa...vc não ajudou, sua dilatação ainda é ruim) e coloca mais ocitocina, e depois vc vai chorar de dor e ela vai chamar o anestesista para
uma analgesia. O anestesista é um amor de pessoa. Seu marido pede para entrar, e talvez deixem, talvez não.
Sua dor termina, assim como qualquer resquício de controle que vc possa ter sobre o processo.
Aí já são 20 h, e sua médica já "perdeu" um dia inteiro com vc. Faz uma nova avaliação e seu corpo continua não ajudando. A dilatação ainda é ruim.
Vc está com medo e não acredita mais nem um pouco nas suas capacidades. Está nervosa e cheia de adrenalina. Tem muita, muita dor...Ela pergunta (???) pra vc o que acharia de uma cesariana, visto que não há dilatação, apesar de "tudo o que ela já fez". Quase chorando vc responde que sim, afinal está sofrendo há horas, e é óbvio que deve haver alguma coisa errada com seu corpo, porque seu bebê já deveria ter nascido. Você até tinha princípios sobre ser operada, mas como arriscar o bem estar do seu bebê? Seu marido esboça uma pergunta, mas desiste no meio, porque se a doutora falou ela deve saber o que faz, afinal ela estudou para isso.
Daí ela conversa com o anestesista (que ficou por ali, porque não é bobo e sabe como as coisas acontecem) e resolvem fazer uma cesariana.
Vc poderá sair convencida que sua médica é maravilhosa e que fez tudo o que pôde (dentro da Matrix ela realmente fez...), e até mesmo ela queria que vc tivesse um parto normal. Vc vai achar tb que o anestesista é um ser maravilhoso que ajuda as mulheres a "se livrarem de um processo desumano, como é ter um filho".
Não foi tão ruim assim, né? Afinal vc sobreviveu e seu bebê nasceu bem, apesar de que ficou muitas horas longe de vc e depois ficou mais dois dias na UTI porque a respiração dele ainda estava fraquinha, provavelmente porque "demoraram muito para decidir pela cesariana".
Algumas semanas depois a médica recebe um pagamento de 400 reais (mas ainda vão descontar o imposto de renda) da cooperativa (mas poderia ser da Golden, ou da Sulamérica, do Banco do Brasil, etc..) e pensa: "Bem, pelo menos eu não tive que ficar a noite inteira lá. Por essa grana até dá pra atender convênio". Pega o dinheiro e vai ao supermercado comprar sabão, bolacha,
chinelo havaiana, sucrilhos e mais meia dúzia de coisinhas. Passa no caixa e vê no letreiro luminoso da caixa registradora: R$ 370,00. Dá um sorriso e acha que "as coisa estão muito caras hoje em dia", mas no meio do carrinho
de compras, entre as caixas de Maizena e dois sacos de batata, vê por alguns microsegundos o semblante da mãe e do bebê que atendeu alguns dias atrás.
Sacode a cabeça e eles desaparecem, mas seu pensamento se fixa nessa coincidência. "Meu trabalho em cuidar da vida dessas duas pessoas no momento mais crucial em que ambas estiveram juntas nesse mundo vale a mesma coisa que os produtos neste carrinho de supermercado."
Dá um desânimo...mas sua médica pensa "Poderia ter sido pior: podia ter sido um parto normal"...
E vamos em frente...
Ric (que acha que ainda assim vale a pena...)"

Ordenhadeira Elétrica x Bomba tira-leite X Ordenha Manual

"Queria saber se a bomba elétrica de leite materno funciona mesmo, pois o Gabriel (4 mêses) está comaçando a tomar suco e logo será a vez do leite, porém parece que ele não aceita muito bem então eu queria manter ele tomando o meu leite mas para isso acho que o único processo para tirar o leite que poderia me ajudar é a bomba elétrica pois com as manuais eu não consegui.
Queria saber das experiências de algumas de vcs para decidir se compro,pois afinal de contas não é nada barata. $$
Um beijo em todas e estou esperando suas experiências!"
Essa é a dúvida da Ana Cláudia...
Ingrid e Socorro M. responderam sua pergunta.
"Ana Claudia, conheço mulheres que utilizaram a bomba elétrica quando voltaram a trabalhar.
A bomba elétrica tem o mesmo processo da manual, ela faz um vácuo na mama, de forma constante e contínua. Vc liga o botãozinho e ela começa a sugar desesperadamente a mama. Eu não gostei, pois achei que doía mais que a bomba tira-leite e como era contínuo, saía o primeiro jato depois não saia mais nada.
Tinha que tirar e fazer de novo pra um novo jato, ou seja, não funcionou. Acho q pra tirar o leite materno tem que fazer movimentos de apertar, soltar, apertar, soltar. Esse negócio de só sugar interminantemente fazendo vácuo eu não gostei, mas já vi funcionar com mulheres que tem muito, mas muito leite.
Daquelas que sobra muito. Aí funcionava.
Outra coisa... com vc trabalhando teu leite vai diminuir e vc vai fabricar o suficiente pro Gabriel mamar de manhã, noite, e madrugada. Creio que a ordenhadeira elétrica não surtirá mais tanto efeito. Lembre-se que custa caríssimo, na faixa de R$ 500,00 a R$1000,00. Quando eu usei a bomba elétrica, na verdade eu ALUGUEI uma. Não comprei. Existe uma loja na Tijuca que aluga uma da NEVONI.
Eu recomendo fortemente a ordenha manual mesmo, ou então a bombinha tira-leite q não é lá essas maravilhas, mas pelo menos custa R$ 15,00." - diz Ingrid
Socorro M. complementa:
"Ana Paula,
Esse capítulo da volta ao trabalho é uma novela mesmo não é?
Infelizmente por quetões financeiras eu sequer conheço ao vivo uma ordenhadeira elétrica :((
Mas a ordenha manual para mim foi um espetáculo! Eu chegava a ordenhar 100, 150 ml por vez (dos dois peitos).
É prático, barato, não machuca o seio, você leva pra qualquer lugar. Tão versátil quanto o peito.
O duro foi eu aprender a ordenhar! No começo tirava uma duas colheres de sopa em meia hora de tentativa... com o tempo fui pegando o jeito e não queria outra vida.
Mas tem mulheres que tem dificuldade com a ordenha pela sensibilidade na mama e a dificuldade em manipulá-la. Tenho uma amiga que achava uma tortura aquela gastura causada pelo aperta e solta... aí ela foi para a bombinha tira-leite comum.
Experimenta. Mas tenha um pouco de pacïência no aprendizado. Eu levei uns 20 dias pra ficar craque.
Quer aprender a fazer a ordenha manual?

Aleitamento: Por que as mães precisam de ajuda? Como ajudá-las?

elisamamandop
POR QUE AS MÃES PRECISAM DE AJUDA?
fonte:http://www.aleitamento.org.br/livro/introducao.htm

"Pode-se ouvir dizer "Amamentar é natural - por que então a mãe precisaria de ajuda?". Algumas mulheres têm sorte e conseguem amamentar seus filhos sem nenhuma dificuldade. Entretanto, outras realmente necessitam de ajuda no início - especialmente com o primeiro filho, e, particularmente, se forem muito jovens. Inúmeras mulheres precisam de apoio para continuar a amamentar, principalmente se trabalham fora, ou se a criança chora muito.
Um estudo recente no Quênia mostrou que atualmente muitas mulheres usam alimentação artificial, de um tipo ou outro, precocemente. O alimento pode ser leite de vaca, leites artificiais, cereais diluídos, água com açúcar ou, simplesmente, água. Esta prática é mais comum nas cidades, mas ocorrem em algum grau por todo o Quênia. Em algumas áreas é tradicional a utilização precoce de suplementos, especialmente se a criança chora muito. A maioria das mulheres continua a amamentar parcialmente e isso deve prevenir alguns dos mais nocivos efeitos do aleitamento artificial. Entretanto, a introdução precoce de suplementos é uma importante causa de diarréia e desmame. O resultado da disseminação do uso de suplementos sem supervisão é um número cada vez maior de mulheres que desmamam muito cedo.
Ao se perguntar às mães as causas do desmame ou o porquê da introdução precoce de suplementos, as respostas são as mais diversas como: "Meu leite é pouco", ou
"A criança se recusou a sugar". No entanto, embora elas próprias não saibam, essas não são as causas reais das dificuldades. As mulheres na realidade não têm falta de leite. Podem estar ansiosas e não confiantes de que o leite materno por si só seja suficiente para o seu filho. Talvez falte entusiasmo para realmente tentar. Algumas vezes, a criança não está sugando em boa posição.


As verdadeiras causas de suas dificuldades são:
==> falta de apoio de outras mulheres;
==> falte de apoio dos Serviços de Saúde;
==> pressões da vida moderna em zona urbana. "

Falta de apoio de outras mulheres
Nas sociedades tradicionais sempre existiram mulheres experientes próximo a uma jovem mãe para ajudar. Era sua própria mãe ou a mulher que ajudou a fazer o parto. Era alguém que ela conhecia e em quem confiava. Entretanto, nas sociedades modernas, especialmente nas cidades, com freqüência não há ajuda alguma para as mães. Algumas vezes, a jovem mãe tem a sogra, a própria mãe ou amigas por perto. Mas essas pessoas estimulam o uso de alimentação artificial, especialmente se usarem leite artificial para seus próprios filhos.

Falta de apoio dos Serviços de Saúde
O parto no hospital pode ser mais seguro tanto para a mãe quanto para o recém-nascido em muitos sentidos. Mas, as rotinas hospitalares em muitas maternidades favorecem a introdução precoce de suplementos ou o desmame, tão logo a mãe volte para casa. Com freqüência os auxiliares de Saúde nos Centros de Saúde ou em clínicas não sabem como orientar as mulheres sobre os problemas da amamentação.

Pressões da vida moderna em zona urbana
Há muitas pressões sobre as mulheres para que utilizem o leite artificial. Por exemplo: modismos; o que os vizinhos fazem; emprego remunerado; atitudes sociais que fazem com que as mulheres se sintam pouco à vontade para amamentar em público; propaganda de leites artificiais e a facilidade em comprar substitutos do leite materno.

A AJUDA NECESSÁRIA PARA QUE AS MÃES AMAMENTEM COM SUCESSO
fonte:http://www.aleitamento.org.br/livro/introducao3.htm

Conselhos práticos
A mulher, após o primeiro parto, pode estar insegura para amamentar. E a criança, embora possa sugar, talvez não consiga mamar em posição adequada. Tanto a mãe quanto o filho precisam de ajuda para aprender o que fazer. Colocar a criança para mamar é muito simples, quando a mãe sabe como fazer. Mas ela precisa saber. Se a criança não pegar corretamente a mama, podem surgir vários tipos de problemas.
As mulheres também precisam de conselhos quanto ao número de mamadas e uso de outros alimentos ou líquidos; e problemas mais comuns, como, dor nos mamilos,
dores nas mamas, pouco leite, muito leite, mamas "vazando", etc. Novas mães precisam de alguém que saiba realmente o que fazer.

Apoio psicológico
Para amamentar com sucesso a mulher precisa se sentir confiante. Isto significa que:
==> ela precisa acreditar que pode amamentar; precisa saber que seu leite é tudo de que a criança necessita, e que suas mamas, qualquer que seja seu tamanho ou
forma, produzirão leite adequado e em quantidade suficiente;
==> precisa saber que mudanças vão ocorrer em seu corpo. Então, compreenderá que o que sente é normal.
Nas primeiras semanas após o parto, a mulher fica mais sensível e emotiva do que era antes. Isso aumenta sua capacidade de amar seu filho, mas também faz com que fique mais facilmente nervosa. Com freqüência tem muitas dúvidas sobre sua habilidade para cuidar da criança e facilmente segue os conselhos de outras pessoas. Se há uma pequena quantidade ou se alguém pergunta "Você tem certeza de que seu leite é suficiente?", ela pode facilmente decidir abandonar o aleitamento materno.
Uma jovem mãe necessita de uma pessoa experiente e delicada para dar apoio e transmitir confiança. Precisa de alguém para cuidar dela com carinho e atenção nessa nova tarefa.

As mulheres da família
A própria mãe da nutriz ou outro parente próximo pode transmitir a confiança necessária. Caso não haja nenhum parente, outra pessoa deve dar o apoio. Se os parentes estimularem a mãe a usar leite artificial, ela precisa de ajuda para resistir.

O marido
Uma das melhores pessoas para auxiliar a nutriz é, sem dúvida, seu marido, se tiver disponibilidade. Ele pode ajudar de muitas maneiras. Pode dizer que quer que ela amamente e que sabe que o leite dela é o melhor alimento para a criança.

Grupos de mães
Outro apoio valioso para a nutriz é o de outras mulheres da comunidade, por exemplo, conselheiras de lactação ou grupos de mães ou amigas que amamentaram.
Podem ser particularmente importantes para ajudar as mães a continuar amamentando após os primeiros meses.

Apoio dos auxiliares de Saúde
O apoio e o estímulo de auxiliares de Saúde são essenciais, especialmente para iniciar o aleitamento materno e para ajudar nos problemas precoces. Estão numa
posição chave, tanto nas Maternidades quanto nos Centros de Saúde e Clínicas. Devem oferecer à nutriz orientação eficiente e atualizada, transmitida com simpatia e paciência. Devem assegurar a cada mãe que ela realmente pode amamentar.
Auxiliares de Saúde que não agem dessa forma têm uma influência negativa na prática do aleitamento materno, podendo aumentar o desmame precoce. Todavia,
aqueles que realmente dão às mulheres auxílio e apoio individual podem contribuir para o sucesso do aleitamento materno. Pesquisa recente sugere que este é um fator muito importante.